segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

7 Ditadores que continuam vivos e poderosos

Bashar al Assad


O presidente sírio Bashar al Assad, de 46 anos, é um o mais jovem e mais ameaçado tirano de nossa lista. Isso porque ele parece ser o próximo alvo da famigerada Primavera Árabe, a onda de revoluções que, desde janeiro de 2011, tem confrontado regimes em diversos países no norte da África e Oriente Médio. Na Síria, as revoltas começaram em meados de março de 2011 e, desde então, vêm sofrendo uma repressão violenta das forças de segurança. Segundo a ONU, mais de 5,000 pessoas já morreram e a guerra civil já é uma realidade no país, mas Assad afirma que "nunca deu ordens para matar" . De acordo com o ditador (que assumiu o poder após a morte do pai, Hafez, em 2000) os protestos são obra de imigrantes e terroristas, e não da população comum. No entanto, o país afastou aliados importantes como a vizinha Turquia, colocando-o nos mesmos trilhos percorridos por gente como Hosni Mubarak (no Egito) ou Muammar Gaddafi (na Líbia).

Alexander Lukashenko


Classificado pela ex-secretária de Estado americana Condoleezza Rice como “o último ditador do Ocidente”, Alexander Lukashenko governa a Bielo-Rússia com mão de ferro desde 1994. Embora Lukashenko tenha organizado quatro eleições desde que chegou ao poder, observadores internacionais sempre denunciam manipulação de urnas e diversos crimes contra a humanidade. Entre eles, a perseguição de opositores como Viktar Hanchar, desaparecido em 1999. Além disso, Lukashenko costuma fazer declarações polêmicas de antissemitismo e até elogios a Adolf Hitler, que segundo ele fez a Alemanha “evoluir séculos durante seu governo”. No entanto, ainda que seja alvo de sanções da União Europeia e Estados Unidos desde meados dos anos 1990, Lukashenko diz já estar “acostumado” com as críticas, já que há mais de dez anos tudo que a comunidade internacional fez foi usar adjetivos cada vez mais fortes para classificá-lo.

Isaias Afewerki


Herói da independência da Eritreia (no chamado Chifre da África), Isaias Afewerki está no poder desde 1991 – ano em que o país finalmente terminou uma guerra civil de mais de 30 anos. No entanto, a parte boa da história termina aí mesmo. Desde então, Afewerki governa um país onde não há Constituição nem liberdades individuais. Por exemplo, todos os homens são obrigados a entrar no “serviço nacional” a partir dos 18 anos, o que na Eritreia significa trabalhos forçados por tempo indefinido. A pena para quem fugir é a morte, mas até 50 mil pessoas já conseguiram escapar para campos de refugiados na fronteira com a Somália. Também há indícios, segundo governos ocidentais, de que Afewerki financie grupos terroristas como a Al Qaeda.

Islam Karimov


Governante do Uzbequistão desde 1990, Islam Karimov justifica a perseguição religiosa sob o argumento de combater os extremistas islâmicos. No entanto, órgãos internacionais como a Anistia Internacional e o ex-embaixador britânico Craig Murray o acusam de prender e torturar cristãos e outros grupos religiosos, o que inclui até mesmo casos de pessoas sendo cozinhadas vivas em grandes caldeiras nas prisões. Ele também é acusado de fraudar eleições como a de 2000, onde só havia um candidato de oposição que ainda por cima admitiu que só concorreu para que o pleito “parecesse democrático” e que votaria para Karimov. Ainda assim, o ditador que cresceu em um orfanato e se tornou um importante dirigente da União Soviética na região, também pode ser lembrado pelo trabalho humanitário com relação a órfãos no país. Sua filha mais nova, Lola Karimova, por exemplo, é fundadora de uma das principais ONGs do país, dedicada a encontrar novos lares para crianças nessa situação.

Robert Mugabe


O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, tem 87 anos e não dá nenhum sinal de que esteja pronto para deixar o poder. Após liderar uma revolução contra a minoria branca entre as décadas de 1960 e 1970, Mugabe chegou ao poder em 1980, ainda lembrado como um herói para muitos africanos. Isso é passado, já que agora ele é mais conhecido pela repressão violenta a grupos de oposição e comparações com Adolf Hitler. Segundo Mugabe, ele é o Hitler desta geração, “preocupado em proteger a justiça, a soberania e a independência de seu próprio povo”. Além disso, o Zimbábue também pode ser lembrado como o país da segunda maior hiperinflação já registrada na história: 231,150,888.87% (leia-se mais de 231 milhões por cento) em 2008. Cerca de 85% da população do país está desempregada, e a crise ficou tão séria que, em 2009, o governo simplesmente resolveu abandonar sua moeda oficial. Apesar dos boatos sobre um possível câncer de próstata (divulgados em telegramas diplomáticos vazados pelo WikiLeaks) Mugabe prometeu novas eleições para 2012 e garante que tem condições de concluir outro mandato de sucesso. As eleições acabaram ficando para Março de 2013.

Omar al Bashir


O presidente do Sudão, Omar al Bashir, chegou ao poder em um golpe militar pacífico, mas desde então ele é acusado por alguns dos piores crimes humanitários de nosso tempo. Desde 2009 ele é procurado pelo Tribunal Penal Internacional pelo genocídio de Darfur, a porção mais o oeste do país. Desde 2003, al Bashir lança uma campanha de limpeza étnica contra a população árabe-africana, que segundo organizações internacionais já matou entre 200 e 400 mil pessoas. A situação em Darfur é tão grave que até o ator George Clooney entrou em campanha para denunciar a matança. Recentemente o astro de Onze Homens e Um Segredo chegou a usar satélites que ele mesmo comprou para registrar movimentos de tropas militares na região e ajudar o TPI a formar um caso contra o governo sudanês. Mas al Bashir também tem suas cartas na manga. De acordo com um documento revelado pelo WikiLeaks, autoridades americanas possuem evidências de que o ditador pagou até R$ 16 bilhões aos governos de Rússia e China para se opor ao mandado de prisão que o tribunal internacional possui contra ele. Em 2011, o país acabou dividido em Sudão e Sudão do Sul, após anos de conflitos violentos entre as duas partes.

Teodoro Nguema Mbasogo


Hoje com 69 anos, o presidente da Guiné Equatorial Teodoro Nguema Mbasogo chegou ao poder após matar seu tio, Francisco Nguema, em um golpe militar em 1979. Desde então ele se mantém no poder através de eleições fraudadas (em que ele chega a atingir até 98% dos votos), decretos que lhe garantem poderes extraordinários e a exportação de petróleo, principal fonte de renda do país. Mas, apesar de ser acusado de torturar e perseguir opositores, Mbasogo possui boas relações com os Estados Unidos e até com o Vaticano. Cristão declarado, ele já visitou o papa João Paulo 2º e Bento 16. Ainda assim, segundo a rede britânica BBC, a lei do país africano estabelece que o ditador possui “o poder sobre todos os homens e coisas”, está “em contato direto com o Todo-Poderoso” e “sempre pode decidir matar alguém sem ter de responder por seus atos e ir para o Inferno”. Segundo a revista Forbes, Mbasogo também é um dos chefes de Estado mais ricos do mundo, com uma fortuna avaliada em até R$ 1,16 trilhão.

Fonte: R7