sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

10 Cientistas Muito Loucos da Ficção

Um deles criou uma poção que o transformava de médico respeitável em um monstro assassino, outro deu vida a um ser constituído pelas partes de vários corpos mortos e o menos insano de todos fez de um carro esportivo  uma máquina para viajar no tempo. Na literatura, nos quadrinhos, nos desenhos animados ou no cinema, escritores, desenhistas e roteiristas criaram os mais diferentes tipos de cientistas malucos para nos divertir, amedrontar ou, até mesmo, para provocar reflexões sobre questões éticas da ciência.


Após elegermos os cientistas mais malucos do mundo real, fomos atrás de descobrir quais são os mais interessantes cientistas loucos criados no universo da ficção. Entre os critérios usados para nossa escolha estão a popularidade que eles alcançaram, o impacto que causaram e, claro, o grau de insanidade que revelaram em suas invenções e atitudes. Nas próximas páginas conheça quem são esses dez cientistas muitos loucos.

Victor Frankenstein


Cientistas loucos da ficção
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O ator Colin Clive como o cientista
maluco em "Frankenstein" (1931)

Protagonista daquela que é considerada a primeira obra de ficção científica na literatura, o doutor Victor Frankenstein estabeleceu várias das características que construiriam o estereótipo do cientista louco, egocêntrico e extremamente ambicioso que até hoje assombra nossa imaginação. Sedento por conhecimento e crente de que daria aos homens o poder de um deus, Victor inicia sua insana e presunçosa busca pela imortalidade. Para fazer isso rouba corpos do cemitério, corta e costura suas "melhores" partes para criar um novo ser vivo e, ao conseguir, percebe que sua ambição o tinha levado a um experimento perigoso e eticamente assustador. Criado pela escritora Mary Shelley em 1818, "Frankenstein ou o Prometeu Moderno" é uma obra-prima literária que reúne características do romantismo gótico e influências das ideias científicas que emergiram com o Iluminismo. O dr. Victor Frankenstein tornou-se desde então um dos mais populares e influentes cientistas malucos da ficção. A ponto de a criatura que no livro original não ter um nome passar a ser chamada pelo sobrenome de seu criador.


Henry Jekyll


Cientistas loucos da ficção
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Ele era um médico que andava assustado com seu "lado negro", com todas as maldades que residiam em sua personalidade e que a todo custo procurava reprimir. Mas lidar com essa dualidade levou Henry Jekyll a imaginar uma solução radical. Ele buscou uma fórmula que o tornasse duas pessoas distintas: uma totalmente boazinha e outra que seria pura maldade. Caso seguisse as boas recomendações científicas, ele deveria ter testado sua poção em ambientes e cobaias que ele pudesse controlar. Mas, como todo cientista louco que se preze, o doutor Jekyll decidiu usar a poção nele mesmo. O resultado foi que do aparentemente pacato médico emergiu uma criatura diabólica, cruel e amoral, que se autodenominou Edward Hide. Aos poucos, a personalidade malévola de Jekyll, representada por Hide, foi tomando conta de seu ser até o ponto em que o monstro assumiu o controle do médico. "O Estranho Caso do Dr. Jekyll e Sr. Hyde" foi escrito pelo escocês Robert Louis Stevenson e publicado em 1886.


Dr. Moreau


Cientistas loucos da ficção
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A ideia do homem assumindo o papel de um deus criador parece ser uma das patologias que mais afetam a mente dos cientistas malucos na ficção. A obra literária "A Ilha do Doutor Moreau", escrita por H. G. Wells, um dos maiores autores de ficção científica, e lançada em 1896, mostra um excêntrico cientista autoexilado numa ilha distante da civilização tentando criar sua própria espécie de seres vivos. Em seus experimentos sádicos, o doutor Moreau com seus cabelos e barbas brancas, como que simbolizando o Deus cristão, manipula a genética de humanos e animais para fazer surgir criaturas bizarras. Seres que misturam gente, macacos, bois e outros bichos fazem parte da fauna da ilha do dr. Moreau, em sua insana tentativa de construir uma sociedade de bestas. No cinema, Burt Lancaster e Marlon Brando já fizeram o papel do doutor Moreau nas poucas adaptações feitas da obra de H.G. Wells.



C. A. Rotwang


Cientistas loucos da ficção

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Ele é o cientista louco de um dos maiores clássicos do cinema: "Metrópolis" (1927), de Fritz Lang. Rotwang é um engenheiro insano e genial que inventou um robô feminóide para ser uma versão de sua amada, que preferiu ficar com John Fredersen, o Mestre de Metrópolis, e que acabou morrendo durante o parto do primeiro filho, Freder Fredersen. Ironicamente, a pedido do Mestre da Cidade, Rotwang acaba adaptando sua invenção para ser uma versão má de Maria, a pacifista heroína do filme. Mas suas reais intenções são, na verdade, vingar-se de John Fredersen e seu filho. Profundamente solitário, Rotwang passa todo o tempo em seu laboratório rodeado por globos de energia de Tesla, tubos e controles, elementos que criaram o protótipo do espaço de trabalho dos cientistas malucos no cinema.  Em "Metrópolis", o personagem foi interpretado pelo ator Rudolf Klein-Rogge.

Lex Luthor


Cientistas loucos da ficção
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O ator Kevin Spacey
como Lex Luthor
no filme "Super-Homem,
o Retorno" (2006)
Ele não só é um cientista maluco como é também o principal adversário do maior de todos os super-heróis. Alexander Joseph Lutor surgiu em 1940 nos quadrinhos da DC Comics como o arqui-inimigo do Super-Homem. Criação de Jerry Siegel e Joe Shutter, Lex Luthor, como ficou popularmente conhecido, é um cientista extremamente inteligente, senhor das tecnologias e muito, muito mau. Inventor de armas de destruição poderosas, seu objetivo é dominar o mundo e para isso tem de derrotar o homem de aço. Luthor usa muitas vezes uma avançada armadura para enfrentar seus adversários ou recorre a disfarces sofisticados. O mais incrível é que essa maldade toda emergiu após seu amigo Clark Kent - é verdade, o Super-Homem e Lex Luthor foram muito amigos durante a infância -  ter acidentalmente destruído seu laboratório. Se por causa disso a sede de vingança de Luthor o faz um dos mais malucos cientistas da ficção, imagine se tivesse acontecido algo pior ?








Otto Octavius


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Ele é outro vilão que surgiu a partir dos quadrinhos. Pacato e dedicado cientista, Otto Octavius desenvolvia braços mecânicos para auxiliá-lo em suas pesquisas sobre física nuclear. Mas um acidente em seu laboratório, que o expôs a um elevado grau de radioatividade e fez uma fusão das garras mecânicas que desenvolvia com seu corpo, transformaram o brilhante e respeitado Otto Octavius no insano cientista Doutor Octopus. Um dos mais temidos inimigos do Homem Aranha, a primeira aparição do vilão aconteceu em 1963, no terceiro gibi do super-herói criado por Stan Lee. Desde então, com seu poderes telepáticos e seus tentáculos indestrutíveis essa mistura de cientista maluco e vilão superpoderoso tem travado as mais formidáveis batalhas com o Homem Aranha, nos quadrinhos, nos desenhos animados e nos filmes.








Doutor Fantástico

Cientistas loucos da ficção
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Sem dúvida ele é um dos cientistas mais malucos de todos os tempos. Brilhante criação do diretor Stanley Kubrick e do ator Peter Sellers, esse personagem é a alma de uma das melhores comedias de humor negro já feitas. Doutor Fantástico é uma mistura de cientistas excêntricos do mundo real e da ficção, como Wernher Von Braun, um dos pais do programa espacial norte-americano, Edward Teller, inventor da bomba de hidrogênio, e C. A. Rotwang, o inventor maluco de "Metrópolis" (direção de Fritz Lang, 1927). Cientista demente e apaixonado pela possibilidade de usar as bombas de hidrogênio para acabar com o mundo, doutor Fantástico é dotado de um braço mecânico que insiste involuntariamente em fazer a saudação nazista ou que tenta esganá-lo de vez em quando. Mas nem todas suas ideias são tão malucas assim. Antevendo o fim do mundo devido ao holocausto nuclear e preocupado com o prosseguimento de nossa espécie no planeta, ele propôs que algumas centenas de milhares de pessoas fossem levadas a um local protegido da radiação, na proporção de dez mulheres para cada homem. Dr. Fantástico podia ser muito louco, mas não era bobo.




Eldon Tyrell

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Eldon Tyrell, o pai dos replicantes de "Blade Runner"
Ele foi responsável por criar cópias robóticas perfeitas dos seres humanos, cópias que o viam como um verdadeiro pai. Eldon Tyrell é o cientista recluso e excêntrico de "Blade Runner, o Caçador de Andróides" (direção de Ridley Scott, 1982). Confiante, ganancioso, embriagado pelo poder e pela possibilidade de ser um deus criador, Tyrell desfilou várias das principais características dos cientistas malucos. Inventor dos replicantes, andróides tão idênticos aos humanos que o lema da empresa de bio-tecnologia de Tyrell era "mais humano do que os próprios humanos", ele acabou vítima de suas próprias criaturas que tomaram consciência de sua mortalidade e reivindicavam ao cientista que tivessem mais tempo de vida. O papel de Eldon Tyrell foi vivido pelo ator Joe Turkel.




Emmett Brown


Cientistas loucos da ficção
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Christopher Lloyd interpretou Doc Brow na trilogia "De Volta para o Futuro"
Uma das muitas invenções do simpático e amalucado doutor Emmett Brown foi uma máquina para viajar no tempo adaptada em um carro esportivo DeLorean. Doc Brown, como é chamado por Marty McFly um adolescente que é seu melhor amigo, é um homem de todas as ciências e o mais bonzinho de todos os cientistas malucos que já surgiram na ficção e no mundo real. Mas mesmo com toda essa bondade e boas intenções, como todo cientista louco que se preze, Doc Brown é responsável por causar muita confusão com seus inventos, mas sem matar ninguém e sem nenhuma intenção de dominar o mundo. Graças a sua máquina do tempo e suas excentricidades, Doc Brown criou o argumento que fez da trilogia "De Volta para o Futuro" (direção Robert Zemeckis, 1985-1990) uma das mais divertidas de todos os tempos.







Dr. Evil


Cientistas loucos da ficção
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O ator Mike Myers fez Dr. Evil
na série "Austin Powers
O pior de tudo não é ele ser um cientista maluco e do mal, mas sim ter uma versão em miniatura dele mesmo. Principal vilão da série cinematográfica "Austin Powers", Dr. Evil seria na verdade o irmão gêmeo do herói e seu nome é Douglas Powers. Seu objetivo, como é de se esperar num cientista maluco que parodia outros cientistas malucos, é dominar o mundo. Segundo sua mãe, o fato dele ter sido criado entre os belgas deve ser a razão de tê-lo tornado tão mau e diabólico. Congelado em 1967 e descongelado três décadas depois, esse gênio do mal encontrou um ambiente científico propício para suas bizarras ideias, como os avanços em genética que permitiram ele fazer um clone em miniatura chamado Mini Me. Dr. Evil é no fundo o resultado da mistura de vários cientistas malucos e vilões internacionais que fizeram sucesso em vários filmes de espionagem, principalmente os da série James Bond.