quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

10 Bandidos Amados e Temidos pela História

Robin Hood (século 13)

Robin Hood
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Talvez tudo tenha começado com ele, mas há muitas dúvidas entre os historiadores se Robin Hood existiu. Personagem real ou não, o fato é que sua lenda tornou-se uma das mais populares de todos os tempos e a imagem do fora-da-lei bonzinho que roubava dos ricos para dividir com os pobres o transformou num ícone do altruísmo e da luta contra a injustiça social. O problema é que ao analisar os contos medievais que narram a história do "príncipe dos ladrões", esse altruísmo tão ressaltado nas versões modernas que vemos no cinema ou nos livros não era tão frequente. O que mais se destaca nas lendas originais é justamente a vida que ele levou completamente à margem da lei. Mas o mito de Robin Hood surgiu na Idade Média, por volta do século 14, e desde então a ideia de um bandido bonzinho, um fora-da-lei que busca justiça social e pratica filantropia com o fruto do que rouba, tem estado presente em nossa imaginação. 


Ishikawa Goemon (1558-1594)

Samurai
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Ele certamente não sabia nada sobre Robin Hood, mas o japonês Ishikawa Goemon foi uma espécie de versão nipônica do bom bandido inglês. Goemon viveu no Japão do século 16 e contam as histórias que ele era muito admirado pela população por roubar ouro e partilhá-lo com ela. Não há muitos registros históricos sobre sua vida, então muito do que se conta sobre ele vem da cultura popular japonesa, principalmente das peças do teatro kabuki. Uma das histórias diz que Goemon invadiu em 1594 o castelo de um governante déspota para matá-lo e livrar a população de seus desmandos. No entanto, ele teria sido capturado pelos samurais e morto em um caldeirão de óleo fervente.


Joaquim Murieta (1829-1853)

Joaquin
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Outra versão de Robin Hood, desta vez na Califórnia (EUA), foi Joaquim Murieta. Não se sabe ao certo se ele nasceu no Chile ou no México, mas Murieta era um entre os milhares de latinos que foram para a Califórnia no século 19 em busca de ouro. Humilhações, discriminação e a violência contra ele e outros latinos teriam o levado a formar uma temida e bem armada quadrilha para roubar gado e assaltar carregamentos de ouro. A lenda conta que Murieta era uma espécie de fora-da-lei preocupado em ajudar os desvalidos, mas as pesquisas históricas mostram que ele foi um bandido cruel que liderou um bando que apavorava os mineiros da região de Sierra Nevada até o rio Sacramento. As lendas populares que romantizaram sua figura, após ele ser morto, inspiraram a criação do Zorro.

Billy the Kid (1859-1881)

Billy the kid
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Ele viveu somente 21 anos, matou 21 pessoas e tornou-se o mais famoso bandido do Velho Oeste. Antes de começar sua carreira criminosa, as biografias mostram que Billy the Kid teve uma infância normal e viveu em boas condições, sendo um adolescente bem-humorado e amante da música. Após a morte da sua mãe e com os constantes afastamentos do seu padrasto, por conta do trabalho, Billy ganhou uma certa liberdade que o levou a gastar todo seu dinheiro e recorrer a pequenos roubos. Em 1876, aos 17 anos de idade, ele teve que fugir do Arizona após sua arma aparentemente disparar por acidente em uma briga e matar um ferreiro. Refugiado no Novo México, Billy começou uma bem-sucedida carreira criminosa, venceu vários duelos e tornou-se muito popular entre as mulheres. Sua trajetória foi interrompida pelo xerife Pet Garret que o matou em 1881.

Pancho Villa (1878-1923)

Pancho Villa
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Bandido ou revolucionário? Na verdade, Pancho Villa foi os dois. Após passar a infância como trabalhador rural numa das mais pobres regiões mexicanas ele cometeu seu primeiro assassinato ao matar um fazendeiro que abusou de sua irmã. Logo a seguir alistou-se no exército e tornou-se um dos grandes heróis da Revolução Mexicana. Sua trajetória de revolucionário é pontuada por períodos como bandoleiro, com seus roubos de gado e assaltos a bancos. Sua defesa radical de mudanças na estrutura agrária o fez muito popular e querido entre as populações pobres. Visto com temor por qualquer governante mexicano, pois tornara-se um popular general revolucionário, Pancho Villa foi assassinado em uma emboscada em 1923. 

Lampião (1897-1938)

Lampião e Maria Bonita
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Maria Bonita e Lampião
Num período em que o coronelismo cometia as barbaridades que quisesse no Nordeste brasileiro, as crueldades feitas pelo bando de Virgulino Ferreira da Silva, mais conhecido como Lampião, eram até vistas com simpatia pelos mais pobres. Afinal, aquele líder cangaceiro era tido como uma espécie de protetor dos desvalidos ao promover algumas "bondades" por onde passava, apesar do rastro de destruição e pavor que deixava. Nos anos 1920 e 1930, período em que atuou, o cangaço era uma espécie de crime organizado no polígono da seca no interior nordestino e o bando de Lampião chegou a ter 50 integrantes. Sua proximidade com os "coronéis", que lhe davam abrigo, lhe rendeu até a "missão" de perseguir a Coluna Prestes. Lampião acabou morto pela polícia em uma emboscada, após um dos membros do seu bando o ter traído. 

Charles Pretty Boy Floyd (1904-1934)
Floyd Charles Arthur
FBI
Ele foi um dos famosos inimigos públicos número 1 nos Estados Unidos, da mesma forma que John Dillinger e "Baby Face" Nelson. Assim como alegava Lampião, Charles Arthur Floyd tornou-se bandido por causa do assassinato do pai. Mas diferentemente do cangaceiro, "Pretty Boy" parece ter tido boas razões para ser idolatrado pelo povo em sua trajetória criminosa. Uma delas era de que ao assaltar os bancos ele destruía os papéis de hipoteca armazenados nos cofres, "quitando" a dívida de muita gente. Ele participou do famoso massacre de Kansas City em 1933 ao liderar a tentativa de resgate do bandido Frank Nash, enquanto esse estava sendo escoltado por agentes do FBI para um novo presídio. "Pretty Boy" acabou morto por agentes federais no ano seguinte. No seu enterro compareceram cerca de 20 mil pessoas.


Gino Meneghetti (1878-1976)
Gino Meneghetti
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Gino Meneghetti em 1926
Ele foi um bandido romântico, talvez o mais romântico de todos. O italiano Gino Meneghetti começou sua carreira criminosa aos dezesseis anos em Pisa, cidade onde nasceu na Itália. De lá foi para Marselha, na França, onde passou quase duas décadas, e depois veio para São Paulo, cidade na qual tornou-se uma lenda. Na capital paulista, intercalou a vida de pedreiro com a de ladrão. Uma vez quando foi preso, fizeram a besteira de lhe colocarem ajudando a construir a solitária da cadeia. Ele a fez de forma a facilitar a própria fuga. E esta foi apenas uma das várias escapadas espetaculares que protagonizou. Astuto saqueador de casas, diz a lenda que teria lido toda a obra de Bertrand Russell nos dias em que passou trancafiado na cadeia. Aos 92 anos foi preso ao tentar roubar uma casa. Ao que tudo indica, após esse último trabalho se aposentou. Segundo o historiador Boris Fausto, Meneghetti ganhou a simpatia popular porque roubava os ricos, foi maltratado pela polícia e era anarquista.

Salvatore Giuliano (1922-1950)
Salvatore Giuliano
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Típico galã italiano, Salvatore Giuliano liderou um bando na Sicília responsável pela morte de aproximadamente duas centenas de pessoas. Charmoso e belo, Giuliano conquistou a simpatia popular principalmente ao compartilhar o dinheiro dos assaltos com as pessoas da comunidade em que vivia. Essa espécie de Robin Hood à italiana foi um ardente defensor da independência da Sicília em relação ao restante da Itália. A vida de Giuliano ganhou uma versão literária - "O Siciliano" - escrita por Mário Puzo, autor também de "O Poderoso Chefão". Ao que parece Giuliano foi morto pelo primo enquanto dormia, por ordem da máfia.

Phoolan Devi (1963-2001)
Phoolan Devi
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Livro sobre a vida de Phoolan Devi
Ela ficou conhecida como "Rainha dos Bandidos", foi eleita deputada após passar mais de uma década presa e é um ícone nacional na Índia como defensora das castas mais baixas. Phoolan Devi começou sua vida bandida na adolescência quando juntou-se a um bando de ladrões. Desde então já era vista com simpatias, uma vez que seu bando dividia com as pessoas mais pobres o botim que conseguiam. Com isso ganharam também proteção da comunidade. Certo dia em busca dos homens que a haviam violentado quando tinha dezesseis anos, ela e seu bando mataram 22 pessoas, no episódio que ficou conhecido como o massacre de Behmai. Em 1996 e 1999 ela foi eleita para deputada e ao que tudo indica tentaria chegar a ser primeira-ministra. No entanto, em 2001 acabou assassinada, por pessoas que queriam vingar-se do massacre de Behmai.


Eu vi no Como Tudo Funciona.